A consolidação do skate como esporte olímpico


O tempo é um instrumento poderoso quando pensamos na mudança de costumes, ideias, e até mesmo das formas em que costumamos encarar certas situações nas nossas vidas pessoais e profissionais. Como praticante de skate há anos, tive a oportunidade de presenciar a transformação que esse esporte realiza na vida das pessoas. E como espectador das Olimpíadas de Tokyo 2020, consegui ver, mais uma vez, o esporte o qual amo ganhar através do trabalho duro a mente dos brasileiros e acabar com os estereótipos.


As três medalhas de prata de Rayssa Leal, Kevin Hoefler e Pedro Barros serviram para popularizar o skate de uma forma que eu jamais vi. Escolas em todo o Brasil relatam o crescimento no número de alunos. Na Associação de Skate em Cascavel (Acskt), não foi diferente. Percebemos uma abertura incrível da população local ao nosso esporte, e muitos pais começaram a colocar nas suas listas de alternativas o skate como opção para o seu filho se divertir e se exercitar.


Eu sempre incentivei a prática do skate ao meu filho, o Cauê, e gosto de ver ele se apaixonando por esse estilo de vida. Sim, porque é mais do que um esporte, é um lifestyle.

Criado e praticado nas ruas de forma individual, o skate sempre teve uma imagem marginalizada, em que o skatista anda em grupos pela cidade utilizando a infraestrutura dos parques (como no caso do street skate) para fazer as suas manobras. O uso de roupas largas para acomodar os movimentos rápidos e essa associação com o urbano favoreceu à inclusão de outros grupos, como o do grafite e da tatuagem. A junção entre esses fatores criou a figura do skatista “marginal”.


Contudo, a inclusão do skate como modalidade olímpica o colocou na vitrine nacional e mundial como um esporte, igual ao futebol, o basquete, o vôlei, a corrida, entre outros. Nas apresentações individuais, conseguimos ver o quanto o skate exige em termos de condicionamento físico e corporal. Além disso, a parceria e amizade entre os competidores ilustrou o que nós praticantes já sabíamos há tempos: que somos uma família e a disputa não atrapalha, mas sim contribui para a nossa amizade.

O sorriso no rosto do Pedro Barros, skatista de Florianópolis, multicampeão do X-Games e um dos orgulhos do esporte na região Sul, ao ganhar a medalha de prata e o abraço no medalhista de ouro, Keegan Palmer, exemplificam isso.


Atualmente, temos, além dos medalhistas nessas olimpíadas, atletas que nos representam bem nas competições no Brasil e afora, tanto no masculino quanto no feminino. A vitória da Rayssa mostrou também que o skate é para todos, ao contrário da visão senso-comum de enxergá-lo como masculino. A presença das campeãs mundiais brasileiras, Letícia Bufoni e Pâmela Rosa, trouxeram a publicidade para o nosso esporte e incentivam a criação de futuros medalhistas de ouro para o Brasil.


Entretanto, se quisermos manter a popularização do skate, é necessário que aqueles que vivem o esporte se movimentem. Como Presidente da Acskt, atuo, desde 2017, na realização de competições e no desenvolvimento de grupos com nossos afiliados para nos representarem nesses eventos. Realizamos anualmente no Dia Mundial do Skate, em 21 de julho, o GoSkateDay. Em 2019, revitalizamos ao lado da Secretaria de Esportes de Cascavel, a quadra do Parque Verde, onde deixamos pronto uma estrutura completa de street skate. E no ano passado concluímos em parceria com a Prefeitura de Cascavel, o projeto Cascavel Skate Park, que incluiu um campeonato de inauguração com as categorias mirim, iniciante, feminino e amador.


Recentemente, postei no meu TBT do dia 19 de agosto, o avanço de nossas parcerias com a prefeitura e a viabilização, ao lado do Prefeito Leonaldo Paranhos, de uma das etapas do Campeonato Paranaense de Skate em Cascavel.


Também conseguimos um projeto no Diário Oficial para captar verba através do Imposto de Renda para tirar as crianças das ruas e iniciar uma escola de skate em Cascavel. E ainda aprovamos um chamamento público no município para agendarmos, em nome da Acskt, competições municipais, regionais e, por que não, brasileiras.


Tenho como meta estabelecer o skate como uma parte integral da cultura em Cascavel e os representantes dessa modalidade nas olimpíadas, além de me trazerem a alegria como torcedor, me trouxeram o prazer de dizer às crianças e aos jovens na Acskt que, se eles persistirem e se dedicarem, um dia, podem ser atletas olímpicos.

Diego Nazari, Diretor de desenvolvimento de negócios

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