A importância da relação entre os portos e as transportadoras para a produtividade do agronegócio



Como cidadão preocupado com o andamento da economia brasileira, sempre me coloquei em defensa do agronegócio. No artigo que publiquei em maio deste ano, apresentei alguns motivos para valorizarmos as nossas produções agrícolas, devido ao potencial que as terras brasileiras oferecem, tanto em termos de qualidade de solo quanto de extensão, para a melhora do número de empregos, renda e aumento do superávit primário nas finanças públicas.


Vejo que, atualmente, a maioria das pessoas já estão percebendo os benefícios de direcionarmos os investimentos públicos e privados aos produtos que oferecem vantagem comercial ao Brasil. Anos de políticas que privilegiavam outros setores que não nos levaram à lugar nenhum ensinaram, da pior maneira possível, o caminho a seguirmos se quisermos desenvolver a economia do país.


Nesse contexto, um dos lados positivos em ser um empresário é ter oportunidade de participar diretamente nessa tendência, ainda mais por atuar justamente em um dos setores que mais ajuda a tornar esse futuro de riquezas real: o transporte rodoviário de cargas (TRC). A relação entre o TRC e o agronegócio é um tema que dá muito assunto e análises, que, com certeza, me dedicarei a produzir no futuro. Entretanto, hoje, gostaria de enfatizar um lado desse cenário que, na Rodovico Transportes, mais nos orgulhamos em sermos especialistas: a relação entre as transportadoras e os portos na distribuição de grãos.


Fundamental para a melhora de eficiência em qualquer negócio, o setor de logística, por meio de técnicas específicas desenvolvidas durante séculos de estudos, organiza todas as atividades existentes em uma instituição - seja ela privada ou pública. Pensando a longo prazo e na melhora de produtividade, quanto mais uma empresa eleva os rendimentos, maiores serão os investimentos realizados, e consequentemente, maior a quantidade de materiais a utilizar e de pessoas a ser relacionar.


Realizar por conta própria a gestão de todos esses fatores pode ser uma loucura, e por isso, as indústrias levam tanto em consideração o trabalho dos transportadores e dos operadores logísticos. Entretanto, não basta apenas saber interpretar e armazenar números e caixas, é preciso também uma boa dose de inteligência, experiência e conhecimento técnico para ordenar todos os agentes envolvidos no processo de entrega, ainda mais quando outros facilitadores estão envolvidos, como o caso dos portos.


Como a especialidade da Rodovico Transportes é o transporte agro, e algumas das suas principais vertentes (soja, trigo etc.), trabalhamos por anos (bem antes até de eu assumir o cargo de diretor da empresa) em desenvolver uma ótima relação com os principais portos da região Sul, como o de Paranaguá (PR), o de São Francisco do Sul (SC), o de Imbituba (SC) e o de Santos (SP), que diga-se de passagem, são os maiores do Brasil. Graças a eles, conseguimos manter operações de alto nível e sermos reconhecidos pelos nossos clientes - que incluem tradders cerealistas, exportadoras e cooperativas - como referência de boas práticas.


Tudo começa no estabelecimento de conexão entre o interior, onde se encontra o grão, até a chegadas aos portos. Nesse caminho, os problemas mais comuns de acontecerem estão relacionados à segurança e bem-estar dos nossos colaboradores. É preciso pensar em qual será a estrutura de estacionamento que ele encontrará ao realizarem as paradas obrigatórias e nas demais questões de praticidade e saúde, como as refeições, os fretes de retorno e o pernoite.


Além disso, pensando apenas nos aspectos referentes ao ponto de chegada, é necessário planejar de antemão o agendamento das cargas junto aos responsáveis pelo recebimento nos locais de destino, para evitar filas e detectar a possível ocorrência de trânsito nas cidades portuárias.


O modal rodoviário não é o único a participar dessa relação e grande parte das comissões e eventos sobre o transporte de cargas incluem como pauta a intermodalidade e os resultados positivos possíveis de serem adquiridos ao se investir em ferrovias. Mesmo que o transporte rodoviário continue liderando as estatísticas de entregas no país, e Dados da Confederação Nacional do Transporte suportam essa observação ao revelarem que ele é responsável por mais de 60% de tudo o que é transportado no Brasil, existe um interesse genuíno de explorar outras possibilidades de crescimento.


Infelizmente, desafetos e interesses políticos entram no jogo, impedindo a livre iniciativa de empresários ou representantes públicos com o desejo de mudar a situação. O que é uma pena, tendo em vista o quão competitivos poderíamos ser, a quantidade de empregos que geraríamos e quantas pessoas tiraríamos da pobreza, caso tivéssemos mais incentivos e cooperação com os órgãos públicos.


Contudo, o TRC é maior do que o individualismo de terceiros e nós, empresários no transporte de cargas, continuamos a nos ajudar e contribuir com o sucesso um do outro para, juntos, enfrentarmos os desafios colocados em nossas mãos todos os dias.


Enganam-se os que enxergam pessimismo ao se deparar com os problemas no transporte rodoviário de cargas, pois há espaço de sobra para o crescimento do setor nos próximos anos. Novos temas, como o uso inteligente e econômico do diesel, os caminhões movidos à eletricidade e a gás, as novas tecnologias para a redução de custos e o avanço da pauta ambiental, estimulam a criatividade dos empreendedores e fortalecem as parcerias entre a área de transportes e setores de TI e de Gestão Ambiental.


Felizes são os beneficiados em fazer parte dessa realidade, e sou grato à minha família por me dar a oportunidade de trabalhar com essa área que me enche de alegria e me instiga a ser melhor, como pessoa e profissional.


Diego Nazari, Diretor de desenvolvimento de negócios

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