A importância da segurança no transporte de produtos perigosos


Já é sabido que as estradas são o principal meio de transporte utilizado no país. De grãos a instrumentos tecnológicos de última geração, a circulação de bens no Brasil depende quase que exclusivamente do transporte rodoviário, sem o qual não haveria economia. Porém, entre estes produtos, há alguns que requerem um cuidado minucioso durante o seu transporte.


Gases, inflamáveis, material radioativo; a circulação de qualquer produto que apresente “risco para a saúde de pessoas, para a segurança pública ou para o meio ambiente” está sujeita às normas estabelecidas no decreto nº 96.044 da Constituição. Nele, estão presentes os requerimentos e condições que regulam o transporte de produtos perigosos no Brasil, a fim de poupar danos, perdas e, acima de tudo, vidas.


De fato, a incidência de tragédias envolvendo produtos químicos é algo raro nas estradas brasileiras. Segundo um levantamento da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o número de acidentes a cada 10 mil viagens envolvendo estes produtos chegou a 0,78 em 2017. Porém, seria injusto creditar este fato apenas à rigorosa legislação.

É consenso entre os empresários do TRC que o investimento no treinamento e capacitação dos colaboradores – especialmente os do transporte de produtos perigosos – é imprescindível. Pessoas treinadas e que recebem instruções precisas de como desempenhar suas funções tendem a render mais e a ser mais atenciosas no cumprimento delas. Além disso, o constante investimento em equipamentos com novas tecnologias embarcadas contribui de maneira consistente e decisiva na qualidade de cada operação.


Por este motivo, convidei o Everton Antonio Minatti, Gerente Planta da Usiquímica, e o Juan Morell, da Hidromar Industria Química, clientes da Zorzin Logística, para contribuírem com este artigo. Além de uma equipe capacitada para manusear os produtos, notei outros diferenciais no que tange à segurança considerados essenciais por Everton, como know-how técnico dos itens transportados, consciência social e ambiental durante toda movimentação, além da atualização constante sobre as normas e legislações pertinentes aos itens.

Nesta conversa, Juan chamou atenção para a necessidade de uma boa relação entre as três partes: a transportadora, o embarcador e o motorista profissional, para que a operação aconteça com qualidade e segurança. Deste modo, tenho percebido a importância em reforçar que é imprescindível haver transparência e profissionalismo entre as transportadoras e seus clientes.


Além disso, hoje temos muitas opções que nos permitem deixar o transporte cada vez mais seguro. Rastreadores com telemetria e câmeras permitem que as empresas identifiquem e corrijam eventuais problemas na hora em que acontecem; excesso de velocidade, ações inseguras no trânsito, entre muitas outras coisas, podem ser identificadas e corrigidas de maneira imediata, preservando assim a segurança da operação.


É importante destacar que o foco no controle de jornada e no descanso do motorista mitigam o risco de um eventual acidente. Nestes momentos, vemos que o controle de jornada é indispensável para que tenhamos colaboradores aptos a desempenhar suas funções de maneira segura. Tudo isso é gerido por meio de pessoas que trabalham no backstage das operações monitorando a jornada, descanso e paradas através de modernos softwares de controle. O respeito às paradas de descanso e refeição, além de cumprir com a legislação, permite que o motorista tenha tempo para repousar e então seguir sua viagem com mais conforto e segurança.


O cuidado e a dedicação são essenciais a qualquer tipo de trabalho. Porém, quando há vidas em jogo, considero que qualquer medida ainda é pouco! Para garantir que nossas estradas se tornem cada vez mais seguras, é essencial manter os investimentos em capacitação, tecnologia e o respeito à lei. Assim, continuaremos a diminuir os riscos e a manter a economia brasileira funcionando.

Gislaine Zorzin, Diretora Administrativa da Zorzin Logística

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