Cases de sucesso: empresas e empresários que valorizam as mulheres do TRC (parte II)


A aproximadamente 3 meses, realizei o meu primeiro artigo “Cases de Sucesso: empresas e empresários que valorizam as mulheres do TRC”, onde convidei o senhor Urubatan Helou, presidente da Braspress, que falou sobre a inclusão de mulheres na empresa e o ganho que essa equidade trouxe para a companhia.


Agora, tive a honra de conversar com o senhor Altamir Cabral, diretor presidente da Pajuçara e segundo mais votado na pesquisa feita pelo SETCESP sobre o incentivo às mulheres no setor de transportes.


Essa minha pequena série de artigos é um braço do nosso projeto Vez e Voz do SETCESP, que foi criado com o objetivo de valorizar as mulheres que trabalham no segmento de transporte rodoviário de cargas e logística, mas não apenas isso, pois o movimento também servirá para abrir espaço e começar a falar das empresas e empresários que se destacam nesse sentido. Como falei no primeiro artigo, as pessoas são movidas por exemplos e no mundo empresarial isso não é diferente.


Altamir afirma que as oportunidades de trabalho para as mulheres na Via Pajuçara aconteceram naturalmente. “Encontramos nessas profissionais uma maior aderência a nossos valores e necessidades. Atualmente, a maior parte dos cargos de liderança na empresa, tanto no corporativo quanto nas filiais, são ocupados por mulheres”.


Esse é um movimento que tem acontecido de forma gradual nas empresas do Brasil e do mundo. Segundo um estudo realizado pela ZRG Brasil, empresa global de Executive Search e consultoria em lideranças, o número de mulheres em altos cargos nas empresas deve aumentar 50% em 2021. Isso é extremamente positivo, já que segundo o ranking da International Business Report da Grant Thornton, sobre mulheres em cargos de liderança sênior, o Brasil já ocupa a 8º colocação entre 32 países.


“Tratar com equidade, a meu ver, começa por ignorar a questão de gênero para a ocupação de qualquer cargo, salvo situações muito específicas. Em segundo lugar, dar a todos as mesmas condições de remuneração, as mesmas oportunidades de crescimento e exigir o mesmo desempenho, sem diferenciação. Isso é respeito”, adiciona o diretor presidente da Via Pajuçara.


Esse crescimento também pede que as empresas se adequem as necessidades apresentadas. E para isso, uma infraestrutura específica é necessária e para o senhor Altamir, não tem segredo. “A empresa precisa oferecer à mulher uma condição de conforto e segurança análoga à do público masculino. O maior desafio, no entanto, me parece ser o cultural: as empresas precisam ter políticas claras e canais de comunicação abertos para enfrentar questões de preconceito e assédio. Vale para qualquer gênero, mas em geral sabemos que é a mulher que ainda está mais exposta a essas situações”.


Apesar dos números serem animadores, ainda encontramos muitos desafios para sermos reconhecidas no mundo corporativo. Nenhum dos países do Ranking da International Business Report alcança a marca de 50% de mulheres em cargos de liderança, o mais alto é a Filipinas, com 43% e o Brasil atualmente possui 38%.


“Não sei dizer se é preconceito, mas é fato que até algum tempo atrás era muito comum vermos empresas com somente homens ocupando cargos de liderança. Atualmente temos visto cada vez mais mulheres bem-sucedidas na gestão de todas as áreas de uma transportadora. Seja na presidência, na operação, na tecnologia, no comercial, no marketing, entre outros. Então, eu diria que algumas empresas precisam enxergar que estão perdendo enormes oportunidades de enriquecer seus quadros, quando praticam alguma limitação de gênero”, completa o diretor presidente da Via Pajuçara.


O setor de transporte rodoviário de cargas especificamente tem enfrentado uma enorme carência de motoristas com qualificação e segundo Altamir, a entrada das mulheres nessa profissão ajuda a resolver essa lacuna. “Nos setores operacionais e motoristas a presença feminina não passa de 5%, temos muito a evoluir. Porém temos, já ouvi relatos de que mulheres ao volante cuidam melhor da frota, geram menos multas, cometem menos falhas e ainda tratam melhor o cliente”.


É bem verdade que ainda temos um longo caminho para percorrer, mas executivos com essas ideias, como as do senhor Altamir, nos mostram que temos potencial de crescimento e que oportunidades estão sendo dadas para nós mulheres. Precisamos auxiliá-las e principalmente incentivá-las para que cada vez mais, o gênero feminino esteja presente dentro do TRC.


Junte-se a nós e conheça nosso movimento:www.vezevoz.org


Ana Jarrouge, Presidente Executiva do SETCESP

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