Como a demora de vacinação dos profissionais do TRC afeta o desenvolvimento do setor em 2021


Desde o surgimento da Covid-19, tenho acompanhado uma série de impactos econômicos e sociais que ocorreram ao redor do mundo. No setor de transporte rodoviário de cargas, setor em que atuo e sou apaixonada, não foi diferente. Segundo um levantamento feito pela NTC&Logística, a demanda de cargas chegou a cair 45,2% em meados de abril de 2020. Porém, por ter sido considerado um serviço essencial, nosso segmento se manteve ativo durante todo esse período e as empresas tiveram que se adaptar as exigências dos órgãos de saúde e às novas tendências que surgiram no mercado.


Muito por conta desse extensivo trabalho, os profissionais do transporte de cargas foram inseridos em janeiro no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, que tem como principal objetivo classificar as classes primordiais para que sejam imunizadas mais rapidamente. Porém, desde então, a vacinação ainda não começou para esses profissionais.


Obviamente que a imunização tem sido um alívio para toda a sociedade. De acordo com o levantamento do consórcio de veículos de imprensa, o Brasil já vacinou 7,3 milhões de pessoas, o que equivale a 3,47% da população brasileira. Mas, precisamos de mais agilidade nesse processo.


Vale lembrar que desde o meio de fevereiro, estamos enfrentando uma segunda onda, ainda mais forte que a primeira e apesar de todo o esforço das empresas e também dos profissionais de manterem-se seguros, a contaminação acontece e as transportadoras sofrem para repor, por exemplo, os motoristas e consequentemente atender as demandas vindas do mercado.


A falta de motoristas já vem sendo nos últimos anos, uma das dificuldades das empresas do setor. O Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC) produziu um estudo em 2020 que apontou que 81% das empresas de transporte rodoviário de cargas de São Paulo e região perceberam uma crítica falta de motoristas no mercado de trabalho. Isso me faz pensar, será que vamos esperar as transportadoras ficarem com ainda mais falta de motoristas, agora por conta da Covid-19? Essa reflexão é importante e alerta ainda mais a urgência da vacinação para os profissionais do transporte de cargas.


A previsão, segundo alguns especialistas, é que após a vacinação, a normalização do setor traga uma melhora rápida e crescente no PIB do país. De acordo com o Ministério da Economia, em 2021, o PIB do país terá uma alta de 3,2%, o que nos anima e faz com que a imunização seja ainda mais urgente.


No momento, o que nós podemos fazer é continuar desenvolvendo protocolos funcionais em nossas empresas para evitarmos ao máximo a contaminação e consequentemente a operação. No âmbito político, precisamos continuar pressionando para que a imunização desses profissionais seja mais rápida e eficaz.


Joyce Bessa, Head de Gestão Estratégica Finanças & Pessoas na TransJordano

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