Como será o fim do ano para o transportador?


Inúmeras questões pairaram sob a cabeça do transportador neste ano. A incerteza de muitas coisas, entre elas a desoneração da folha, quadro de funcionários e o que esperar da demanda de cargas perante a economia colapsada. O que os fazem duvidar do que ainda estará por vir, em 2021. Entretanto, o quadro pode mudar.


Segundo dados da quinta rodada da Pesquisa de Impacto no Transporte – Covid-19, realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em setembro, houve uma estabilização do número de transportadoras que tiveram de adotar demissões durante a pandemia. E a expectativa das empresas para os próximos meses, segundo a pesquisa, espera-se uma situação igual (37,5%) ou melhor (37,0%) do que a atual, o que nos traz bons sinais.


O que devemos ter em mente para além dos balanços, é a reinvenção. É acreditar no nosso poder de inovação, gestão e nas tecnologias. Olhar as possibilidades, e abraçar as mudanças. Sabemos o quão difícil é manter a motivação num cenário como esses, mas conhecemos também a eficiência de cada transportador e transportadora, que está focado em executar seu serviço da melhor maneira possível.


O transporte, considerando claro, as necessidades de cada segmento, é o mesmo para todos. O caminhão, o motorista, a tecnologia? Também! Mas o que nos diferencia dos demais, é a nossa gestão, a nossa atitude na resolução dos problemas, o treinamento e engajamento para nossos funcionários. E além disso tudo, é também como usamos a tecnologia a nosso favor. O que extraímos dela?


Outra informação muito relevante da 5º rodada da pesquisa da CNT, citada acima, é que a Pandemia levou a maioria das transportadoras a adotar mudanças na empresa, totalizando 53,5% das empresas que participaram da pesquisa. Dentre os itens citados, as mudanças que deverão ser mantidas pelas empresas de transporte, as principais são a redução de custos fixos e variáveis (24,2%) e a adoção de teletrabalho (14,1%).


Porém nesse cenário, vemos que ainda temos um longo caminho a percorrer, uma vez que foi relativamente baixo o percentual de transportadoras que adotaram algum procedimento relacionado à digitalização de processos (5,1%) - iniciativa com potencial de facilitar a manutenção dos negócios em um contexto de isolamento social e de promover maior resiliência das empresas diante da possibilidade de novas crises de grande escala no futuro. Também se destaca o percentual de transportadoras que planeja retornar ao modelo operacional anterior à pandemia (6,4%). A capacidade das empresas de transporte para resistir a crises depende também da sua capacidade para flexibilizar, adaptar e modernizar o seu modelo de negócios, diz a pesquisa.


Assim, devemos passar para o próximo mês, com uma indagação: o que podemos fazer para transformar o fim de ano do setor em algo positivo? Quais lições 2020 nos deixará?


Rafaela Cozar, Head de Gestão e Inovação da Roda Brasil Logística

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