Democracia organizacional: o foco das empresas que querem prosperar no século XXI


Acabei de ler um livro excelente para quem gosta da temática voltada para gestão de pessoas, modelos organizacionais, cultura organizacional e liderança. Ele se chama “A organização dirigida por Valores”, do autor Richard Barrett, o qual super indico.


O livro trata, dentre outros assuntos, sobre este conceito de democracia organizacional, o qual faz todo sentido para mim, dentro do contexto atual que vivemos e principalmente pensando e focando no futuro, na maneira como devemos lidar no dia a dia com as pessoas que trabalham conosco, como engajá-las, comprometê-las e com isso garante a perenização das nossas empresas de forma saudável para todos.


Falar sobre sistemas da qualidade ou mesmo sobre o tripé da sustentabilidade (social, ambiental e financeiro) é essencial e até básico eu diria. Por isso precisamos ir além, avançar nossas intenções e transformá-las em ações efetivas para mudança da cultura organizacional. Não haverá outro caminho.


Organizações precisam evoluir, senão estão condenadas ao fracasso, seja no curto ou no longo prazo. Este livro fala justamente sobre isso, empresas que possuem uma coesão interna forte e robusta, de alto nível, pois estas conseguem sobreviver com mais facilidade.


O autor diz que a conectividade das pessoas, adquirida em razão da coesão interna, permite que a organização funcione como um organismo único, facilitando o aprendizado, a adaptação e a agilidade, que é fundamental atualmente. Segundo ele, o fator-chave para alcançar a coesão interna de alto nível é a confiança, construída através de seis valores: autonomia, igualdade, accountability, imparcialidade, abertura e transparência, sendo cada uma delas componentes estratégicos dos princípios democráticos universais.


As organizações mais bem sucedidas do século XXI serão aquelas, portanto, que trabalharão com estruturas livres de formatos, que forem flexíveis, construam um alto nível de engajamento dos colaboradores e empoderem as pessoas para dedicar sua energia na inovação e na renovação contínua.


E o papel da liderança neste contexto é fundamental para criar um cultura dirigida por valores, baseada nos princípios democráticos organizacionais, os quais ele cita que são dez:


- Propósito e visão (empresa ser clara em relação à razão da sua existência e o que quer atingir);


-Transparência (aberta com colaboradores em relação à saúde financeira, estratégica e à agenda da organização);


- Diálogo e ouvir (ter conversas constantes que façam emergir novos níveis de significado e conexão);


- Imparcialidade e dignidade (tratar todos iguais);


- Accountability (ser claro em relação a quem é responsável por quem e pelo quê);


- Individual e coletivo (todos são valorizados pelo que fazem individualmente assim como pela ajuda a atingir as metas coletivas);


- Escolha (oferecer escolhas aos colaboradores que gerem significado);


- Integridade (fazer o que é moral e eticamente certo),


- Descentralização (compartilhamento de poder de maneira apropriada);


- Reflexão e avaliação (comprometidas com o feedback e desenvolvimento contínuo, pois aprendem com o passado e colocam as lições em prática para melhorar o futuro).


Parece óbvia a conclusão que o autor chega ao final do livro, mas muita gente lê, faz cursos e treinamentos a respeito, mas nunca coloca em prática no dia a dia. Segundo ele, quando a cultura e as condições de trabalho são adequadas, os colaboradores levam seus corações e almas para o trabalho e liberam suas energias discricionárias e criativas. Ou seja, o novo paradigma da liderança, é, sem dúvida, fazer uma mudança de foco do “EU” para “NÓS”.


O papel dos líderes das organizações do século XXI que realmente querem prosperar é aplicar de fato estes princípios democráticos. Isso é a democracia organizacional. Dar voz as pessoas, ouvir o que elas têm a dizer, tratá-las de maneira justa e dar a elas autonomia. Criar uma cultura de confiança é a única maneira de atrair pessoas mais talentosas, que querem ser accountable por seus próprios futuros e pelo futuro da organização. Confiança gera conexão, a suspeita gera separação.


Temos que ter consciência que hoje, onde quer que as pessoas atuem em suas vidas diárias, anseiam em experimentar valores que se alinhem com os princípios democráticos. Somos testemunhas diariamente de que o mundo tem se transformado, uma mudança sem precedentes com relação aos valores humanos. Milhões de pessoas exigem que suas vozes sejam ouvidas e não somente com relação a como os governantes atuam, mas também a maneira que as organizações são conduzidas.


Busca-se trabalhar em empresas que sejam vistas como éticas e que façam a coisa certa aos olhos da sociedade, elas querem sentir orgulho da organização para a qual trabalham, querem perceber que a empresa em que atuam desempenha um papel fundamental na sociedade. Não há outro caminho senão a transformação cultural, a direção baseada em valores e aplicação da democracia organizacional, através dos 10 princípios já citados acima.


Estruturas hierárquicas baseadas de cima para baixo, que evitam dar voz aos colaboradores, que desenvolvem líderes que somente dão ordem e esperam que subordinados apenas cumpram sem questionar, estão em desuso. Ninguém mais quer trabalhar em ambientes centralizadores e hierárquicos, sem confiança.


Reavalie os valores da sua organização, faça pesquisas de clima organizacional e de liderança, isso tudo ajudará você a entender e compreender em qual nível de coesão interna e de entropia cultural sua empresa está. O autor fala também neste conceito muito interessante, que ele denomina de “entropia cultural”, que seria a quantidade de energia consumida na realização de trabalhos desnecessários e improdutivos, a quantidade de conflitos, fricção e frustação que os colaboradores encontram e impedem os mesmos de atuarem com alto desempenho. O livro traz várias dicas valiosas de exercícios, testes e instrumentos para medir e avaliar os valores dos colaboradores, da organização e dos líderes.


Este livro é fundamental para os empresários obstinados por evolução e que querem engajar sua equipe. Além disso, ele é um mapa para os que querem trilhar um caminho de sucesso e transformar sua empresa em uma das mais bem sucedidas do século XXI. Portanto, boa leitura e bom trabalho!

Ana Jarrouge, Presidente Executiva do SETCESP

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