Líderes da próxima fase


Belo teste para os líderes os dias que estamos vivendo. Nada mais providencial para avaliar quem realmente tem talento e as habilidades necessárias para, de fato, ocupar uma função de liderança.


Empresas são estruturas compostas de infraestrutura, pessoas, tecnologia e etc. Diversos recursos que devem ser geridos de forma responsável, transparente e humana, afinal, as pessoas ainda representam o ativo mais importante, variável e mais complexo que está a disposição do líder empresarial. Encaixar, organizar, trocar, sobrepor, alinhar e orientar estas peças são desafios enormes que exigem certas habilidades.


Inclusive cabe adendo e reflexão a respeito de infraestrutura, que está em “xeque” neste momento, o que vem deixando o mercado imobiliário assustado, visto que as empresas estão percebendo que não precisam ter salas e salões enormes, quando as pessoas simplesmente conseguem produzir de casa, com mais qualidade, menos stress, e com menor custo.

Neste contexto de mudanças e adaptações forçadas, os líderes que não possuírem o mínimo de capacidade e habilidade de gestão de pessoas, ficarão expostos e suas fragilidades serão escancaradas em números, se é que já não eram antes, mas que nunca tinham sido de fato, observados e levados a sério.


Segundo um levantamento da consultoria de recrutamento Michael Page, 8 em cada 10 profissionais pedem demissão por causa do chefe. Ainda segundo o estudo, o desempenho abaixo do que se espera de um líder é o principal motivo tanto para quem pede demissão, quanto para quem está desanimado com seu emprego. Ou seja, a maioria dos desligamentos ocorre por pura falta de habilidade do líder em identificar, preparar e alocar adequadamente os talentos dentro de uma organização.


É imprescindível para um líder ser emocional, e não me venham falar que isso é motivo de vergonha ou motivo de fraqueza, porque está mais do que comprovado que líderes mais “humanos” são capazes de produzir resultados melhores, porque envolvem as pessoas, escutam, preparam, adequam, motivam, e as fazem se sentirem melhores como “pessoas” e como “seres humanos” a cada dia.


Líder sente, inspira, eleva a autoestima de seus liderados, dá liberdade, dá autonomia, e os deixa se sentirem PARTE do TODO. 

Chegou a hora de virarmos a chave, assumirmos o controle e conduzirmos as pessoas para as mudanças que este momento nos trouxe, para que, enfim, as organizações entendam que pessoa importa e que o líder que não enxerga isso estará fadado, não só ao fracasso, mas ao “isolamento”. 


Não há mais espaço para arrogância, para falta de respeito, preconceitos, falsas promessas e falsas intenções, ou seja, aquelas que só estão nos quadros, no marketing ou nas políticas de RH delicadamente escritas, mas que não passam de falácias diante da primazia da realidade. Líderes ocupados demais com essas habilidades ultra “racionais” não passarão para próxima fase, podem apostar.


Do contrário, aquele líder que fizer uma avaliação profunda, procurar o autoconhecimento, procurar ajuda se necessário, através da humildade que lhe é esperada, conduzirá muita gente e sua organização para patamares diferentes, onde o RECURSO HUMANO será não o único ativo das empresas do futuro que fará diferença entre o sucesso e o fracasso, porque todo o resto será secundário, verdadeiramente.


Ana Jarrouge, Presidente Executiva da SETCESP

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