O motorista do futuro: transformações e revoluções tecnológicas no TRC

Atualizado: Out 21



É impossível falarmos em futuro e deixarmos de lado as tecnologias, ainda mais quando levamos em conta a velocidade na qual elas estão se desenvolvendo e os retornos positivos nos mais diversos setores. O transporte rodoviário de cargas (TRC) não fica por fora dessas transformações, exigindo dos profissionais uma capacidade maior de adaptação.


De forma geral, noto que grande parte das pessoas têm dificuldade em aceitar abertamente processos transformadores, pelo menos no momento inicial. Exatamente por ser uma questão muito corriqueira no dia a dia de muitos, esse bloqueio tem sido estudado por diversos psicólogos e psiquiatras, que classificam o comportamento como “Aversão ao Risco”.


No entanto, para que permaneçamos ativos no mercado de trabalho, é preciso se aventurar. Tenho acompanhado como essas evoluções tecnológicas podem influenciar os motoristas profissionais, revolucionando o TRC. Se antes a ocupação de motorista era solitária, levando a vida pelas estradas na boléia do caminhão, o profissional do futuro sentirá a necessidade de estar muito mais em contato, tanto com sua base, quanto com os clientes.


Isso porque com a automação dos veículos, os motoristas deixarão de desempenhar funções repetitivas na direção, assumindo a inteligência por trás do trabalho. Um estudo realizado pelo Laboratório do Futuro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apontou que 27 milhões de trabalhadores podem ter suas tarefas assumidas por robôs ou sistemas de inteligência artificial até 2040. A pesquisa também apontou que a profissão de motorista de caminhão tem 79% de chances de serem substituídas pela automação.


Tais dados geram grandes questionamentos sobre o futuro dos profissionais da área e aumenta necessidade de treinarmos intensamente nossos profissionais, para que eles possam desenvolver também habilidades analíticas, com o intuito de se tornarem analistas de logística.


Ainda que contemos com as mais inovadoras tecnologias, a verdade é que sempre haverá a necessidade da inteligência, presença e experiência do motorista profissional para o funcionamento do transporte de cargas e direção de grandes caminhões nas rodovias.


Ouso dizer que, não contaremos apenas com o motorista do futuro, mas sim com uma nova forma de realizarmos o transporte rodoviário de cargas, tendo como proposta mais qualidade de trabalho e bem-estar para os nossos colaboradores, além de benefícios para as empresas transportadoras. Os caminhões autônomos visam diminuir a carga de trabalho repetitiva do motorista e não os excluir de seus postos, de modo que grandes montadoras, já apontam a importância do componente humano nesta nova tecnologia de caminhões elétricos.


Com esta revolução no TRC, nós transportadores também conseguiremos reduzir significativamente custos de manutenção de veículos, por exemplo, gerando outras oportunidades de investimentos, como treinamentos e capacitações pertinentes ao novo cenário.


Portanto, tenho notado que o papel das tecnologias que têm adentrado o setor de transporte é aumentar a produtividade dos processos, além de proporcionar um sistema mais seguro e flexível, levando em conta o papel fundamental do motorista de transporte de cargas na viabilização dessas mudanças.


Andre de Simone, Membro do conselho administrativo da Transita Transportes

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