O que podemos aprender com o transporte de cargas nos países desenvolvidos?


O setor de transporte brasileiro vive uma expectativa positiva para 2021 com a chegada da vacinação e a esperança da volta a normalidade da economia. Porém, ainda existem diversos empecilhos que prendem o transporte de cargas de ter um desenvolvimento mais uniforme no país. Pesquisando sobre os índices do transporte e logística brasileiro, encontrei o Índice de Performance Logística realizado pelo Banco Mundial, que aponta que o Brasil possui a classificação “regular” no quesito “Competência e Qualidade dos Serviços Logísticos”, com média de 2,99 num total de 5. Além disso, dentre os 160 países analisados, nos encontramos na 56º posição desde 2016. Os números mostram que precisamos analisar aspectos que precisam ser aprimorados e que precisamos aprender com os líderes do ranking para que o transporte avance em nosso país.


Sempre nas primeiras posições e considerada como modelo internacional da área, vemos a Alemanha, a qual possui os maiores portos da Europa e abriga mais de 12 mil quilômetros de estradas, com uma infraestrutura invejável. Seu sistema de Sincromodalidade é o diferencial, junto com a Bélgica e a Holanda, são chamados de EuroDelta e aplicam a concepção de todos os modais em um só sistema integrado e sincronizado.


A ação efetiva da Sincromodalidade pode ser vista no Porto de Antuérpia, na Bélgica. O segundo maior porto da Europa movimenta mais de 190 milhões de cargas por ano e possui conexões para mais de 800 destinos. São 950 saídas de barcaças fluviais, 220 trens por dia interligando as principais rodovias da Europa e 1000km de linhas férreas, ainda dentro do porto. Isto é um reflexo do investimento em infraestrutura logística e automação.


Esse sistema de multimodalidade é um dos quesitos que precisamos evoluir comparado aos países desenvolvidos. Hoje cada modal enxerga o seu próprio negócio, mas se nós conseguíssemos utilizar as diferentes modalidades a nosso favor, teríamos uma melhora completa nos diferentes modais do transporte brasileiro.


Além disso, a infraestrutura brasileira não representa a importância que o modal de transporte de cargas tem para o país, as rodovias, portos, ferrovias e terminais tem uma estrutura muitas vezes precárias e aquém do necessário. Se utilizássemos os modelos citados acima como exemplo, poderíamos sentir uma evolução gigante na maneira de se fazer transporte no Brasil e consequentemente no faturamento das empresas.


A falta de tecnologia para documentação e pedidos também é um dos empecilhos em nosso país, na Europa, por exemplo, existem diversos sistemas eletrônicos de antecipação de embarques que agilizam o processo e facilitam os negócios. Ainda utilizamos muito papel, o que dificulta e atrasa o transporte das cargas, isso está mudando aos poucos, mas precisamos aprender cada vez mais com os países desenvolvidos de como utilizar a tecnologia a favor das transportadoras.


A alguns anos estive nos EUA e consegui observar que eles possuem pontos de apoio gigantes para os motoristas nas estradas, com uma estrutura de ótima qualidade, esses conglomerados possuem postos de abastecimento e de alimentação, banheiros com chuveiros para motoristas, lugar para descanso e principalmente, com uma boa segurança. Aqui no Brasil possuímos alguns poucos pontos de parada de qualidade para os profissionais da estrada.


Outros fatores que impactam o nosso setor são as legislações sem sentido e muitas vezes excessivas e a falta de fiscalização adequada para que as leis sejam cumpridas e consequentemente criem uma concorrência mais leal.


O transporte rodoviário de cargas brasileiro é o principal meio de abastecimento da indústria e comércio. Precisamos observar o que é feito lá fora, aprender e cobrar as autoridades brasileiras para que realizem serviços semelhantes e assim propiciem uma melhora significativa no setor como um todo e na economia do país.

Joyce Bessa, Head de Gestão Estratégica Finanças & Pessoas na TransJordano

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