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Perspectivas econômicas e diplomáticas: o Brasil diante da nova presidência na Argentina

Diálogos e relacionamento próximos podem ser a chave para um maior desenvolvimento do setor


Divulgação/Canva


Em novembro deste ano, a Argentina escolheu Javier Milei como seu novo presidente, com uma margem de 11 pontos percentuais à frente de seu rival, Sergio Massa. Esta mudança de liderança política no país suscita importantes questões sobre seu impacto nas relações comerciais no transporte rodoviário internacional entre o Brasil e a Argentina.


O novo mandatário é conhecido por suas posturas ultralibertárias e assume o cargo em meio a uma das maiores crises econômicas, políticas e sociais que o povo argentino enfrentou em anos. Indicadores preocupantes, como uma taxa de pobreza que atinge 40% da população e uma inflação que ultrapassa 140% ao ano, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censo (Indec), órgão ligado ao Ministério da Economia, lançam incertezas sobre o cenário econômico e político do país.


Além disso, a retórica de Milei durante a campanha eleitoral tem levantado dúvidas sobre como ele abordará as relações com outros países, especialmente com o Brasil, considerando que já expressou sua forte oposição às políticas sociais e econômicas do nosso país, o que poderia criar desafios diplomáticos.


Danilo Guedes, CEO da ABC Cargas e vice-presidente de assuntos internacionais da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), pondera a importância do entendimento governamental do país vizinho para os próximos passos, especialmente no setor de transporte.


“O transporte rodoviário de cargas (TRC) internacional entre Brasil e Argentina enfrentou desafios significativos nos últimos anos, incluindo restrições às transferências de fretes internacionais. No entanto, a relação comercial entre os dois países é historicamente sólida e robusta, impulsionada por interesses econômicos mútuos. O segmento desempenha um papel vital nesse comércio, uma vez que a Argentina é um importante mercado para as exportações brasileiras, principalmente de produtos agrícolas e manufaturados, e o Brasil é um fornecedor-chave de insumos para a indústria argentina”.


Em meio às incertezas políticas e econômicas, é importante notar que as relações comerciais muitas vezes transcendem as diferenças ideológicas dos líderes políticos. O comércio entre países é orientado pelas condições econômicas e pelos interesses das empresas e comerciantes, e esses fatores superam as tensões políticas.


“A NTC&Logística, entidade ativa no setor com mais de 60 anos de atuação na qual venho atuando diariamente, está se preparando para possíveis mudanças no ambiente de negócios entre os países. Nos últimos anos, a companhia construiu relações sólidas com outros países, incluindo a Argentina, e está comprometida em promover soluções que beneficiem o setor de transporte rodoviário de cargas internacional”, destaca o executivo.


Espera-se uma cooperação mais estreita entre os governos para que o TRC traga benefícios importantes para as duas nações, incluindo a redução de custos e a melhoria da segurança. Isso poderia facilitar ainda mais o trânsito de mercadorias entre os dois países, aumentando a eficiência do transporte e beneficiando tanto exportadores quanto importadores.


Por fim, Danilo finaliza com pensamentos positivos de uma boa relação governamental: “Tudo ainda é incerto, mas a expectativa é que o comércio continue desempenhando um papel fundamental na parceria entre os dois países, contribuindo para o crescimento econômico e a prosperidade de ambas as nações. As entidades continuarão acompanhando de perto estes desenvolvimentos e trabalhando para promover uma relação comercial sólida e mutuamente benéfica”.


Danilo Guedes, CEO da ABC Cargas e vice-presidente de assuntos internacionais da NTC&Logística.

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