Cotidiano no setor de transporte de cargas: dificuldades e desafios


Diariamente o setor de transporte de cargas enfrenta uma série de desafios, sejam eles logísticos ou administrativos. Apesar de 2021 trazer certa esperança para a economia do país, não poderia deixar de mencionar que estamos apenas iniciando o processo de recuperação diante dessa crise. De acordo com relatório produzido pela CNT (Confederação Nacional do Transporte), 65% das empresas de Transporte de Cargas sofreram uma queda em sua receita bruta no último ano.


Tenho percebido uma série de obstáculos capazes de comprometer a produtividade e o crescimento das transportadoras de cargas. A falta de motoristas profissionais é um dos maiores entraves a longo prazo, de modo que foi intensificada durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo uma pesquisa conduzida pelo Instituto Paulista de Transporte de Carga (IPTC), 81% das empresas do setor registraram falta de motoristas no mercado de trabalho em 2020.


Outro ponto a ser ressaltado, que podemos relacionar com o anterior, são as restrições de circulação nos centros urbanos. A NTC aponta que aproximadamente 200 cidades brasileiras contam com esses tipos de leis, acarretando a necessidade de uma frota maior e, consequentemente, mais motoristas nas ruas. Gostaria de evidenciar que essas condições acabam encarecendo os serviços, elevando o custo em cerca de 20% de acordo com a NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística).


Dentre todos estes desafios do dia a dia, a infraestrutura é um dos problemas enfrentados de maneira mais assídua. Venho percebendo grandes mudanças recentemente, mas os investimentos nas rodovias do país ainda são considerados baixos. Essas condições, além de oferecerem riscos aos motoristas e às cargas, impactam também no aumento dos custos logísticos dentro das transportadoras.


Tenho observado que a infraestrutura não consegue acompanhar o setor, segundo a CNT, as rodovias pavimentadas cresceram 23,2% em 15 anos, de modo que a frota de veículos aumentou 184,2% no mesmo período. Os dados ainda nos mostram que entre as rodovias federais e estaduais analisadas pelo órgão, 48,6% delas apresentam algum tipo de problema.


Considerando a frota de veículos, a maioria das rodovias que são duplicadas apresentam constantes problemas de fluxo por conta da quantidade de transportes na via. Por este motivo, tenho observado que atualmente na BR 101 em Santa Catarina, região da Grande Floripa e Camboriu, os veículos ficam parados por alguns minutos, o que acarreta em uma velocidade média de aproximadamente 43km/h, quando deveria ser de 60km/h. Outro exemplo que trago são de rodovias como a BR 277, corredor de exportação do Oeste do Paraná e Mato Grosso do Sul para Paranaguá, possuindo metade de pista simples, ocasionando novamente em lentidão e gerando maior número de sinistros.


Dessa forma, precisamos ter um olhar a longo prazo para enfrentar estes desafios. Estamos sempre buscando por soluções nas leis ou procurando brechas, quando devemos na verdade investir de forma bruta em treinamento de novos motoristas e auxiliar a gestão de empresas familiares. As privatizações nos mostram grandes oportunidades em um futuro próximo, por este motivo, devemos também cobrar que elas aconteçam, trazendo mais esperança ao setor.


Eduardo Ghelere, Diretor Executivo da Ghelere Transportes


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