Perspectivas do transporte intermodal no Brasil


Pensar em como melhorar os rendimentos da sua empresa não é apenas um trabalho de traçar estratégias para a mercadoria em si, mas, também, a forma como ela chega ao consumidor. O transporte rodoviário de cargas continua sendo o principal modal do Brasil, porém, é necessário pensar em outras maneiras de escoar a produção. Para isso, os gestores da área de logística e transporte têm discutido a importância da intermodalidade.


Eu particularmente acredito que, mesmo apontando os benefícios de variar os modais, jamais vamos deixar de falar e aprimorar a distribuição por rodovias. Adoto como perspectiva a frase: se chegou na sua mão, é porque veio de caminhão. Toda cadeia logística tem um dele por trás do seu objetivo final. O produto, sendo agrícola ou industrial, será inserido em alguma rodovia.


Sendo o principal meio de transporte de produtos, o TRC só tende a crescer nas próximas décadas. Ainda mais agora com novos temas surgindo para agregar, como o uso dos combustíveis a diesel, os caminhões movidos a gás e eletricidade, o uso de tecnologias, entre outros, que abrem espaço a novas discussões e estudos.


Por outro lado, não podemos deixar de investir no uso do sistema intermodal, sobretudo das ferrovias. Nesse caso, temos muito o que melhorar no Brasil, pois estamos longe de sermos uma potência ferroviária. China e Estados Unidos possuem, respectivamente, 225.000 km e 127.000 km de extensão da malha. Comparando com esses dois gigantes na economia, nosso país tem “apenas” 29.165 km.


Pagamos um custo na dinâmica da economia por não aproveitarmos as vantagens do transporte ferroviário. Caso adotássemos medidas em parceria com o poder público poderíamos aumentar a nossa vantagem competitiva e gerar empregos, além de melhorar a satisfação e bem-estar do consumidor por agilizarmos a entrega. Internamente, nossos custos seriam reduzidos e utilizaríamos o dinheiro economizado para continuar evoluindo.

Para entender melhor os benefícios, pense no setor do agronegócio. Hoje, ele é o motor da economia brasileira, mesmo na pandemia do Covid-19, alimentando e fornecendo emprego a milhões de pessoas no país. A melhor forma de transportar grãos, como soja e milho, é por meio das ferrovias. Buscamos trabalhar na empresa todo o processo, fazendo a conexão do interior, onde se encontra o alimento, até a chegada nos portos localizados na região sul – entre eles o de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC), Imbituba (SC), Rio Grande do Sul (RS) e Santos (SP).


Confio nas melhoras que apostar na intermodalidade é capaz de trazer ao país, por isso, escrevi este artigo para mostrar a relevância de nós, gestores, falarmos sobre o tema. Existem muitas discussões políticas e interesses de órgãos envolvidos no atraso do desenvolvimento das ferrovias, entretanto, parte da mudança passa pela nossa conscientização e movimentação para torná-lo pauta do planejamento do Governo Federal.


Diego Nazari, Diretor de desenvolvimento de negócios

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